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Dicas de como ir (e voltar) ao Cristo

Estas dicas são fruto de observações e experiências colhidas desde 1990, quando comecei a voar de parapente em São Conrado. Primeiramente, vamos analisar o relevo e o micro-clima dentro de nossa área de vôo: A grosso modo podemos considerar que em São Conrado os pontos cardeais estão balizados a Sul pelo mar, a Norte pela rampa, a Oeste pela Barra da Tijuca e a Leste pela Lagoa. Eu considero que o relevo dentro do polígono de vôo da SBR-324(eu acho que é este seu nome) está dividido em quatro movimentos, dispostos no sentido Leste/Oeste, do mar para o interior, a saber: - o movimento dos Dois Irmãos; - o movimento composto pela cordilheira da Gávea (entre a Gávea e o Horto), o Cochrane, a Agulinha, a Pedra Bonita e Pedra da Gávea;

- o movimento composto pelo Corcovado, o Sumaré e o Queimadinho; e - o movimento do maciço da Tijuca.

Essa configuração orográfica cria compartimentos estanques(vales), que possibilitam a existência de condições de vôos típicas do interior bem próximo ao mar. Estas condições são favorecidas pelas diversas formações rochosas e pela vegetação da Mata Atlântica, que, quando sobre irradiação solar, são responsáveis pelo surgimento de atividade térmica. Na prática o relevo influencia da seguinte forma. Nossa área de vôo está localizada no hemisfério Sul (latitude de +/- 23º S), desta forma, a grosso modo, entre outubro e março o Sol está irradiando as faces Sul das cordilheiras, entre abril e setembro está irradiando as faces voltadas para Norte.

Este aspecto, associado com às variações térmicas de cada período do ano, com o regime predominante dos ventos na região e com a variação da pressão atmosférica, determina as melhores épocas de vôo em São Conrado. Meteorologia é uma ciência complexa, não vou me atrever a explicá-la e como influencia o micro-clima de São Conrado. Nossa área de vôo sofre efeitos da maritimidade, isto acarreta uma circulação de ventos do mar para o continente, que em São Conrado varia entre Sudeste, Leste e Nordeste, principalmente entre o nível do mar até 300m de altitude. Acima deste nível, o vento já sofre influências da continentalidade, predominando entre Nordeste e Norte. Dentro da bacia de São Conrado, muitas vezes o vento muda de direção influenciado pelas elevações e pelas térmicas.

É por causa disto que é possível decolar de Nordeste, apesar da rampa estar na direção Sudeste. A passagem das frentes frias pelo litoral do Rio de Janeiro determina alterações na direção dos ventos na região. De uma maneira geral o vento roda sempre no sentido anti-horário.

Marcelo Rambo

 

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